próxima sessão (07/10): acossado jean-luc godard e o bandido da luz vermelha rogério sganzerla
9.24.2006
próxima sessão | sábado, 7 de outubro |
14h Acossado, Jean-Luc Godard
16h O Bandido da Luz Vermelha, Rogério Sganzerla
18h Debate com Inácio Araújo e Francis Vogner dos Reis
Acossado de Jean-Luc Godard (1959) Michel Poiccard, criminoso interpretado por Jean-Paul Belmondo, encontra sua amante Patricia Franchini, estudante de jornalismo interpretada por Jean Seberg, em Paris e tenta convencê-la a fugir com ele para Roma. O casal se perde em discussões sobre amor, arte e o universo enquanto o tempo se esgota para Michel, perseguido pela polícia. O papel interpretado por Seberg marcou o cinema como uma das primeiras personagens femininas independentes.
Godard foi crítico de cinema da revista francesa Cahiers du Cinéma nos anos 50, escrevendo críticas apaixonadas contra todo o cinema literário que era dominante até a década de 60. Seu primeiro longa-metragem deu origem, ao lado de "Os Incompreendidos" de François Truffaut, à Nouvelle Vague fancesa, movimento cinematográfico que rompeu com o tradicional, levando o cinema para as ruas. Godard inaugurou o Cinema Moderno, que rompeu com o academicismo e inovou na forma, negando a idéia de que o cinema é apenas um suporte para se contar histórias.
O Bandido da Luz Vermelha de Rogério Sganzerla (1968) Assaltante interpretado por Paulo Vilaça e apelidado pela imprensa de O Bandido da Luz Vermelha, rouba casas luxuosas de São Paulo, trazendo sempre consigo uma lanterna vermelha e conversando longamente com suas vítimas. Quando ele chega, os valentes vão dormir mais cedo e as mulheres, mais tarde.
Maior representante do Cinema Marginal, o filme "tenta ser péssimo e não consegue. É um filme sujo contra a sujeira; revolucionário contra o golpe; estratégico contra a traição generalizada e despreza os limites impostos pelo cinema de autor, superando a falta de coragem, sensibilidade e talento autenticamente cinematográfico" (Rogério Sganzerla)
Sganzerla, o cineasta sem limites, foi um leitor e escritor precoce. Escrevia críticas de cinema para jornais paulistas antes mesmo de começar a dirigir filmes. Ao lado de Júlio Bressane ("O Anjo Morreu", "Matou a Família e foi ao Cinema"), montou a produtora Bel-Air, em 1970. Teve uma carreira repleta de filmes transgressores como "O Bandido..." e "Sem Essa Aranha", sendo o maior expoente do Cinema da Boca do Lixo, que defendia a Estética do Lixo, contrariando a Estética da Fome (criada por Glauber Rocha) do Cinema Novo.
os debatedores
Inácio Araujo é jornalista, roteirista, cineasta, crítico de cinema do jornal Folha de S. Paulo e autor de Cinema, o Mundo em Movimento (Ed. Scipione), Hitchcock, o Mestre do Medo (Ed. Brasiliense) e outros.
Francis Vogner dos Reis é ex-editor da revista digital CineImperfeito e escreve para a Revista Paisá e Cinética.